A regeneração florestal afeta a fauna de tripes fungívoros (Insecta: Thysanoptera) na Mata Atlântica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22571/2526-4338415

Palavras-chave:

Fungivoria, diversidade de insetos, microambiente, fauna do solo, serapilheira

Resumo

A regeneração florestal pode afetar a fauna de insetos que habitam o solo, ao promover um aumento na diversidade de árvores e acelerar o acúmulo de biomassa da serapilheira nesse ambiente. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da regeneração florestal de fragmentos da Mata Atlântica na comunidade de tripes fungívoros. Em cada fragmento, foram selecionados dois tratamentos: (i) estágio sucessional intermediário e (ii) estágio sucessional inicial. Cada tratamento compreendeu três transectos, cada um com 10 unidades amostrais, totalizando 240 unidades amostrais. Foram amostrados 221 tripes adultos, 135 nas áreas de sucessão intermediária e 86 indivíduos nas áreas de sucessão inicial.  Encontramos 35 espécies de Thysanoptera em 15 gêneros, todos pertencentes à família Phlaeothripidae. Abundância, riqueza e diversidade de Shannon foram maiores em locais de sucessão intermediária. Esse baixo número de indivíduos e a alta riqueza de espécies sugerem uma distribuição notável da fauna de tripes na serapilheira. Embora alguns táxons estivessem mais relacionados ao estágio intermediário de sucessão, a estrutura de composição das espécies não diferiu entre os tratamentos. Nosso estudo indica que a fauna de tripes fungívoros associada à serapilheira foi afetada pelos diferentes estados de regeneração natural, sugerindo que esses insetos são sensíveis a diferentes estágios sucessionais.

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Biografia do Autor

Mírian do Vale Santos, Programa de Pós-Graduação em Genética, Biodiversidade e Conservação, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, Bahia, Brasil

Atualmente é professora efetiva de biologia e educação científica na rede pública estadual da Bahia. Bióloga pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, campus de Jequié, no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas (2012). Mestrado em Genética, Biodiversidade e Conservação- FAPESB/UESB, desenvolvendo projeto na área de Ecologia de Insetos. Foi Pesquisador I, no projeto de Mapeamento de Experiências Socioambientais no Estado da Bahia, convênio Sema / UESB(2013-2014) e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência - PIBID, durante os anos de 2010 a 2012.

Adriano Cavalleri, Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil

Atualmente é professor da Universidade Federal do Rio Grande e atua no Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas. Possui graduação em Ciências Biológicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2002), mestrado em Biologia Animal pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005) e doutorado concluído pela mesma instituição (2012). Tem atuado como revisor em mais de 40 periódicos científicos e como editor da seção de Thysanoptera e Psocoptera da revista Zootaxa. Desenvolve projetos em colaboração com o CSIRO Ecosystem Sciences (Canberra, AUS); University of Halle (Halle, ALE); UFMG - Depto de Botânica (MG); UESB - PPG Genética, Biodiversidade e Conservação (BA); e nos departamentos de Ecologia e Zoologia da UFRGS. Tem experiência na área de ecologia e taxonomia de insetos, com ênfase em Thysanoptera. Desenvolve estudos na área de Ecologia de comunidades e de interações inseto-planta

Juvenal Cordeiro Silva Jr., Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, Bahia, Brasil

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Maranhão (1991). Realizou mestrado (1994) e doutorado (2001) em Genética e Melhoramento pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atualmente, é professor Pleno da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), pertencendo ao quadro de docentes do Departamento de Ciências Biológicas (DCB). Tem realizado pesquisas nas áreas de Biologia e Genética Animal, particularmente em insetos pertencentes as ordens Hymenoptera, Thysanoptera e Diptera, abordando os seguintes temas: Citogenética, Ecologia, Genética molecular e Sistemática.

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Publicado

2020-09-28

Edição

Seção

Ecologia